Por Marco Antonio Terlizzi – 11/02/2009
Certa vez, ministrei um treinamento a um grupo de pessoas em uma sala onde eram realizadas reuniões dos Alcoólicos Anônimos e deparei-me com um quadro emoldurado com os dizeres abaixo:
Concedei-nos, Senhor,
A serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar,
A coragem para modificar aquelas que podemos e
A sabedoria para distinguir umas das outras.
Depois, pesquisando, descobri que esta oração não foi criada pelos Alcoólicos Anônimos, que existem inúmeras variações de acordo com a religião e que, no nosso caso, tem tudo a ver com a Gestão de Pessoas.
Digo isso porque, com base nos meus paradigmas "atuais", eu acredito que:
- Ninguém pode mudar ninguém. Independente do
motivo, as pessoas só mudam quando querem. A decisão é de cada um.
- A motivação vem de dentro. Nós podemos incentivar as pessoas, mas são elas mesmas que se motivam. Motivação é igual a automotivação.
- Criatividade tem a ver com imaginação e desejo de mudar. A criatividade é uma habilidade que pode ser estimulada e desenvolvida. Cada indivíduo apresentará um resultado
diferente: uns mais e outros menos. O estímulo para criarmos é a busca de respostas inovadoras para os problemas do dia-a-dia.
Há uma frase de Stephen Covey que tem tudo a ver com motivação e criatividade, pois ele diz que: "Entre o estímulo e a resposta há um espaço de tempo. Nesse espaço de tempo reside a liberdade de escolher a nossa resposta. Nessas escolhas residem o nosso crescimento e a nossa felicidade."
Com base nos pressupostos acima, faço as seguintes reflexões:
Otimização da criatividade e iniciativa das pessoas a partir de um modelo de gestão
Otimizar é aperfeiçoar, tornar mais produtivo, ser mais eficaz. O modelo de gestão baseado em propósitos, processos e pessoas adota uma postura mais sensível ao entendimento do
"funcionamento" das pessoas. Com isso, o despertar da criatividade e iniciativa fica mais fácil, pois a participação é estimulada, e conseqüentemente, a energia humana se torna uma fonte de vantagem competitiva. Afinal, atrás de um equipamento, máquina, computador ou qualquer processo, sempre tem uma pessoa para apertar um botão ou para cumprir uma tarefa.
Papel do gestor na instauração de um clima organizacional que estimule as pessoas, de modo a obter resultados extraordinários, ou seja, vantagem competitiva
O clima organizacional está ligado diretamente à maneira como o colaborador percebe a organização com sua cultura, suas normas, seus usos e costumes, como ele interpreta tudo isso e como ele reage, positiva ou negativamente, a essa interpretação. Na medição do clima, uma das principais variáveis percebidas pelo colaborador é a liderança e seus
aspectos relacionados: competência, feedback, organização e relacionamento. Ou seja, o gestor é a "cara" da organização e, na grande maioria das vezes, é citado como a maior causa de satisfação ou insatisfação do trabalhador. Por isso, quanto maior a influência positiva do gestor, melhor a qualidade e os resultados do trabalho e, conseqüentemente, do clima organizacional.
Suporte ao planejamento estratégico, à alocação de recursos, às metas operacionais e ao controle das atividades com base em uma postura gerencial mais sensível às pessoas
O futuro é o lugar para onde estamos indo. É o lugar que estamos construindo e que dependerá daquilo que fizermos no presente. Por isso, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Nenhuma empresa sobreviverá se depender de gênios para administrá-la. Ela precisa ser capaz de ser conduzida por seres humanos medianos. Lidar com gente é
difícil e levar pessoas a enxergar o futuro é ainda mais difícil. Jack Welch disse com propriedade que os gerentes fracos acabam com as empresas e com os empregos. Nesse contexto, a principal qualidade do gestor é a comunicação. É saber ouvir, interpretar e instruir. É colocar-se no lugar do outro e encontrar a melhor forma de conduzir os esforços de cada um para o benefício da coletividade.
A regra de ouro é "trate os outros como você gostaria de ser tratado". Porque, apesar de sermos diferentes uns dos outros, incluindo as nossas motivações, o respeito deve ser universal. Não há quem não queira (e mereça!) ser respeitado, independente da sua condição física, cor, raça, credo ou classe social.
As empresas de hoje não devem mais buscar aqueles "super administradores" que são uns "tratores": passam por cima de tudo e de todos para alcançar metas e resultados, principalmente os financeiros. A curto prazo pode funcionar, mas não a longo prazo, quando provavelmente eles já não
estiverem mais na empresa!
O mundo atual precisa de líderes que entendam da alma humana, que saibam liderar com amor, respeito e pulso firme. A empatia, a capacidade de relacionamento e o espírito de equipe devem prevalecer sempre.
Pode parecer utopia, mas em um grupo unido (eu disse unido!) ninguém é feliz a menos que todos estejam felizes. A felicidade não se compra, se conquista.
Acredito que o segredo da sustentabilidade organizacional é a conquista do equilíbrio entre as relações trabalho e lucro, gestores e colaboradores, satisfação e bem-estar, sucesso e qualidade de vida.